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Mitos e Verdades sobre Obesidade



Dra Luciana Spina- Endrocrinologista

O New England Journal of Medicine publicou uma revisão, na qual foram avaliadas as informações sobre obesidade transmitidas pela internet, imprensa escrita e literatura científica.

O estudo identificou sete mitos divulgados como verdades científicas:


1 – Pequenas reduções do aporte calórico diário ou pequenos aumentos do gasto energético provocam emagrecimento significativo mantido por períodos longos.

A sugestão de que devemos esperar grandes reduções de peso em resposta a pequenas mudanças no estilo de vida, deriva da regra das 3.500 kcal (calorias, popularmente) estabelecida há meio século, segundo a qual cada redução dessa quantidade de calorias na dieta faz perder 450 gramas de peso corpóreo.
Levantamentos recentes mostram que existe grande variabilidade individual nessa perda, porque, quando o peso cai, as necessidades energéticas básicas do organismo diminuem. Em outras palavras, quando a pessoa emagrece a energia que o corpo precisa para funcionar em repouso também diminui. Essa relação explica por que as dietas funcionam bem no início, mas vão perdendo a eficácia à medida que o peso diminui.


2 – Estabelecer alvos modestos, mais realistas, funcionam melhor do que pretensões de perder muitos quilos.

Embora evitar a frustração por haver fracassado em atingir metas de emagrecimento mais ambiciosas tenha certa lógica, as evidências científicas apontam na direção oposta: programas que propõem perdas substanciais apresentam resultados melhores.


3 – Emagrecimento rápido e acentuado está mais associado ao efeito sanfona do que o lento e gradual.

Nos estudos clínicos, o emagrecimento rápido tem sido associado à manutenção do peso mais baixo por tempo mais prolongado.
Embora não esteja claro por que algumas pessoas obesas têm uma perda inicial mais rápida do que outras, recomendar pequenas reduções mais lentas pode comprometer o sucesso do tratamento.


4 – Nos programas de emagrecimento, é importante que um profissional avalie periodicamente a dieta ingerida.

Cinco estudos envolvendo 3.910 pessoas submetidas à reeducação alimentar que tiveram suas dietas avaliadas em intervalos regulares, não mostraram benefícios desse cuidado. Quem entra voluntariamente num programa para perder peso, de modo geral está minimamente disposto a mudar a dieta.


5 – Aulas de educação física nas escolas contribuem para combater a obesidade infantil

As aulas convencionais não produzem gasto energético suficiente e continuado para evitar a obesidade.


6 – A amamentação protege contra a obesidade
Um estudo conduzido com 13 mil crianças acompanhadas por mais de seis anos, não encontrou evidências de que crianças amamentadas no seio materno engordem menos.


7 – A atividade sexual queima até 300 calorias.

Nas fases de excitação e orgasmo um homem de 70 kg queima cerca de 3,5 calorias por minuto. Como a média de duração de uma relação sexual é de 6 minutos, o total consumido seria de 21 calorias. Se estivesse no sofá assistindo à televisão, nesse período ele teria gasto sete calorias.


Agora, vamos aos fatos:

1 – Embora fatores genéticos tenham papel importante na obesidade, hereditariedade não é destino.
2 — Mudanças no estilo de vida são mais eficazes do que os remédios para emagrecer.
3 – Dietas ajudam a perder peso, mas não é fácil mantê-las por longos períodos.
4 – Independentemente do emagrecimento, qualquer aumento da atividade física faz bem para o organismo.
5 – Manter no dia a dia as mesmas condições que provocaram perda de peso colabora para a manutenção da perda.
6 – Crianças obesas se beneficiam de programas que envolvem a família inteira.
7 – A substituição de refeições por produtos dietéticos com baixo teor calórico colabora para a perda de peso.
8 – Alguns medicamentos ajudam a perder peso e a mantê-lo mais baixo, mas apenas enquanto estão sendo utilizados.
9 – Em casos selecionados, a cirurgia bariátrica provoca emagrecimento duradouro, reduz a incidência de diabetes e a mortalidade.


Fonte: Drauzio Varella



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