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Hackers do corpo criam dieta à prova de balas


Implantar um chip para abrir fechaduras; fabricar um equipamento caseiro para mapear o DNA ou praticar uma dieta à prova de balas para aumentar a energia corporal. Essas ações parecem saídas de um filme de ficção científica, certo? Não é bem assim. Combinando a manipulação do orgânico, por meio da biologia sintética, com a ideologia hacker – quando alguém invade um sistema à procura de falhas e depois o reconfigura –, o bio-hacking propõe fazer modificações em qualquer tipo de complexo biológico para melhorar características específicas ou corrigir um problema. O objetivo é sempre a busca por uma melhor performance.

Os adeptos são conhecidos como bio-hackers e se dividem da seguinte forma: grupos focados em fazer experimentos para encontrar soluções e em desenvolver e baratear equipamentos para montar laboratórios coletivos. Há ainda aqueles que se interessam por modificações corporais comportamentais, com o uso de elementos externos naturais, ou por meio de aparelhos tecnológicos.

Imagine, então, hackear o próprio corpo e reprogramá-lo de acordo com o desejo ou a necessidade, sem ajuda de qualquer tipo de aparelho, apenas mudando a alimentação. O bio-hacking defende que isso é totalmente possível, e um dos caminhos é a chamada dieta bullet proof ou à prova de balas, criada em 2014 pelo bio-hacker Dave Asprey. A expressão, em inglês, significa estar a salvo de falhas ou erros.

Nesse sentido, a ideia é corrigir o organismo, ensinando-o a queimar gordura. Esse processo reduz as toxinas da alimentação tradicional e as substitui por alimentos que dão combustível ao corpo e energia à mente, saciam a fome e otimizam o desempenho.

Além disso, não há contagem de calorias ou medidas corporais. Os alimentos são organizados de uma forma que se possa escolher o objetivo físico de maneira individual. O elemento mais famoso da dieta é o café à prova de balas. A receita original leva café, óleo de coco e manteiga ghee (uma versão sem lactose). Entre as vantagens prometidas por seus defensores estão o efeito termogênico – ou seja, maior queima de calorias – e o fôlego extra no dia a dia.

Rotina. É o caso do coach de alta performance e neuroterapeuta Tuiã Linhares, 32. Desde 2015 ele é adepto da fórmula e, às 6h, já tem o copo do poderoso café à mão. E só volta a tocar em comida lá pelas 14h. Essa explosão de gordura permite que eu fique muito tempo sem sentir fome. Para compensar, como verduras no almoço e, no jantar, acrescento proteínas e carboidratos, diz.

Linhares conta que observou vários benefícios durante esses anos. Além de emagrecer 16 quilos, eu rendo muito mais no trabalho e nos exercícios físicos; aumentei o meu foco nas atividades; não sinto mais cansaço; e consigo ficar mais tempo sem comer, declara.

Além da dieta, o coach pontua que utiliza outros métodos criados pelo bio-hacker americano Dave Asprey para aumentar o desempenho. No quarto, deixo uma luz fraca e azulada, que acalma os neurônios, para uma noite de sono mais tranquila. Também ouço sons binaurais para potencializar a aprendizagem, aprofundar a meditação, liberar endorfina e, portanto, controlar a ansiedade, afirma.

Os bons resultados fizeram com que ele convidasse a esposa Tatiane Linhares, 32, a experimentar o método. Confesso que tive um certo receio. Nos primeiros dias, eu não conseguia seguir completamente a fórmula, porque me parecia ser radical, afirma. Contudo, Tatiane persistiu. Decidi tentar de novo há um mês junto com o Tuiã. Já estou conseguindo me adaptar e vejo melhorias no meu dia a dia, garante.

De acordo com o clínico geral Rui Ramos, também bio-hacker, qualquer pessoa pode experimentar a dieta bullet proof, mas ele ressalta a necessidade do acompanhamento de um profissional da saúde. As pessoas precisam ter maior consciência da saúde, de que o corpo é um sistema que precisa de cuidado e manutenção. No entanto, isso não impede que a técnica possa ser feita de qualquer forma. O ideal é que você converse com o seu médico e esclareça a sua vontade de mudar de estilo de vida. Se ele autorizar, é só dar início, orienta o especialista.

Fonte: O Tempo



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