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Conheça a dieta Mind, que ajuda a proteger do Mal de Alzheimer


Um estudo apresentado na Conferência Internacional da Associação Americana de Derrame, no início deste ano, indica que uma dieta criada para estimular a saúde cerebral, rica em vegetais, frutas vermelhas, peixe e azeite, tem capacidade de ajudar a retardar o declínio cognitivo característico do Mal de Alzheimer.

Chamada de dieta Mind (em tradução livre significa mente), ela combina o cardápio mediterrâneo e o Dash, sendo que esse último é focado no combate à hipertensão arterial. Idealizado pelo centro médico da Universidade de Rush, que fica em Chicago, Illinois, nos Estados Unidos, o programa alimentar foi proposto, pela primeira vez, na década passada e, até agora, há poucos trabalhos que atestem sua eficácia.

Baseada no conhecimento que se tem sobre alimentos bons para o cérebro, a Mind lista 10 produtos saudáveis, incluindo folhas verdes, vegetais, nozes, frutas vermelhas (as chamadas berries), feijões, grãos integrais, peixe, ave, azeite de oliva e vinho, e cinco grupos que devem ser evitados: carne vermelha e derivados, manteiga e margarina, queijo, doces e frituras ou fast food. No programa, a pessoa deve comer ao menos três porções de grãos integrais, uma salada e outro vegetal diariamente, acompanhados por uma taça de vinho. Quase todos os dias, devem ser consumidos nozes, alternadas com feijões. Aves e berries têm de estar no cardápio ao menos duas vezes por semana; e peixe, uma vez. Em relação aos alimentos não saudáveis, é preciso evitá-los ao máximo.

Para verificar se a dieta poderia beneficiar pacientes com Alzheimer, a neurologista vascular Laurel J. Cherian, professora da Universidade de Rush, desenvolveu um estudo com sobreviventes de derrame cerebral – pessoas têm duas vezes mais risco de evoluir para demência, comparado à população em geral. Um estudo anterior havia indicado que aquelas que aderiram à dieta Mind apresentaram performance cognitiva equivalente à de indivíduos 7,5 anos mais jovens, em relação ao grupo que não adotou esse regime. "Fiquei intrigada com esse resultado, que me fez imaginar se isso poderia se repetir no caso dos sobreviventes de derrame", explica a pesquisadora.

Cherian testou 106 sobreviventes para declínio cognitivo, incluindo habilidades de pensar, raciocinar e recordar. Todos os anos, os voluntários refaziam os exames (o tempo médio do estudo foi de cinco anos) e tinham monitorados hábitos alimentares, sendo divididos entre os que realmente aderiram à Mind, os que adotaram o programa moderadamente e aqueles que não levaram a dieta muito a sério. Os pesquisadores também consideraram os fatores que podem afetar a performance cognitiva, como idade, gênero, nível educacional, participação em atividades de estímulo cerebral, prática de exercício físico, tabagismo e genética.

O resultado mostrou que aqueles mais firmes no programa tiveram, no período do estudo, uma taxa de declínio cognitivo "substancialmente" menor do que os que aderiram menos à dieta. Esses efeitos foram mantidos quando se consideravam os fatores de ajuste. "Acredito que a dieta Mind é uma forma de 'sobrecarregar' o conteúdo nutricional que ingerimos. O objetivo do programa é enfatizar alimentos que não apenas vão proteger contra doença coronariana e derrame, mas preservar a cognição, na medida em que são voltados à saúde do cérebro", comenta a professora americana.

A principal idealizadora da dieta Mind, a epidemiologista nutricional Martha Clare Morris, afirma que, para se proteger contra o Alzheimer, o ideal é adotar essa dieta por toda a vida. "Quanto mais tempo uma pessoa consome a dieta, menor risco terá de desenvolver o mal. Assim como no caso de outros hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos, você se manterá mais saudável se estiver fazendo a coisa certa por mais tempo", diz a especialista.

Segundo ela, o objetivo do programa é enfatizar alimentos que não apenas vão proteger contra doença coronariana e derrame, mas preservar a cognição, na medida em que são voltados à saúde do cérebro.

Fonte: Revista Encontro



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